A busca pela Justiça Fiscal passa pelos Movimentos Sociais e pela discussão sobre a Reforma Política

O Instituto Justiça Fiscal participou no dia 27 de agosto da reunião promovida pela Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS, no Memorial do Rio Grande do Sul, antigo prédio dos Correios, na Praça da Alfândega.

O objetivo principal do encontro foi o de estabelecer a pauta e o calendário de lutas das várias organizações e entidades que integram o CMS. Para facilitar o andamento dos trabalhos, foi apresentada uma análise da conjuntura, iniciada com o Professor da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) e Diretor Técnico da Fundação de Economia e Estatística – FEE, economista André Scherer.

André enfatizou que o capitalismo vive um momento especial e que esse momento é de crise. “Já temos consenso nisso”, completou, salientando que, embora a previsão para esse ano fosse de calmaria, a turbulência foi grande, especialmente na Europa. “Alemanha e França estão aparando os problemas dos outros países e a própria China começou a ter problemas também, após um período de destaque, em que a própria China, Brasil, Índia e Rússia “haviam feito” uma conjuntura própria.

Para Scherer, o Estado não consegue tomar à frente na resolução dos problemas, evita apenas o desastre maior. Com isso também vai se enfraquecendo, pelos compromissos que está assumindo, e isso se torna um círculo. “O remédio, o mesmo de antes, não faz mais o efeito desejado, ou seja, não cura a doença”.

Ele chamou a atenção para o fato de que até os países líderes, como os EUA, estão se voltndo para dentro, temendo a crise. “O país norte-americano, receando a desvalorização do dólar, já está pensando em voltar ao padrão ouro, como antigamente, jogando de forma terrível o custo da crise sobre os trabalhadores”.

“No caso do Brasil”, disse ele, “o emprego e a renda estão sendo preservados pelas medidas governamentais, que evitam a espiral do aumento do desemprego e a fragilidade financeira. Os bancos, que recentemente foram pressionados pelo Governo a reduzir os juros, estão sob ataque, e o sistema financeiro não está gostando disso. Se houver crise política, virão com tudo para cima do Governo”.

Ele ainda disse que, “Com a diminuição dos pagamentos de juros por conta da redução das taxas, haverá uma liberação de parte do orçamento e alguns setores tentarão se apropriar desta parte liberada, provavelmente setores da burguesia”. Ou seja, não serão os trabalhadores os beneficiados com a redução das taxas de juros. E conclui dizendo, “A Presidenta não está conseguindo organizar o Estado, assim como no RS, porque ele é fatiado”.

Eliane Martins, do Departamento do Trabalho (Detrab) da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social e bacharel em história salientou que a crise é sistêmica. “Conforme o momento ela se apresenta de uma ou outra maneira”.

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Uma resposta

  1. Realmente concordo em quase tudo. Agora dizer que o governo não está conseguindo organizar o Estado porque ele é fatiado é arrumar desculpa.
    A sobra gerada pela economia de gastos que o governo está fazendo, como o corte na taxa de juros, a recomposição dos salários do funcionalismo público abaixo da inflação, a falta de contratação de servidores para reposição dos que se aposentam, etc..está sendo enviada via beneficio fiscal para os amigos do Rei.
    Outro aspecto a ser abordado: o governo começa a promover o protecionismo no setor automobilistico criando a ilusão de que a concorrência com o mercado externo não poderia abaixar os preços.

    Na minha opinião o governo sabe muito bem a quem ajuda.
    Por que o corte nos impostos não foi geral para todas as empresas?

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