Nova Diretoria do SINDECON/RS Toma Posse

O Instituto Justiça Fiscal participou da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Economistas do Rio Grande do Sul, ocorrida no dia 15 de agosto de 2011. Tomou posse como presidente o economista Rafael Alves da Cunha O novo presidente do Sindecon/RS, além possuir um vasto currículo acadêmico, destaca-se por sua incansável luta pela classe dos economistas, tanto na Sociedade dos Economistas como no Sindicato, e pelas causas sociais e ambientais. O economista ecológico Rafael, como ele mesmo se denomina, vem participando, desde o primeiro momento, de todos as atividades que culminaram com a fundação do IJF. A diretoria do Instituto tem muito orgulho de tê-lo como sócio fundador e como membro do seu Conselho Constitutivo. Desejamos ao Rafael uma ótima gestão à frente do SINDECON/RS. Segue abaixo a íntegra do discurso proferido pelo novo presidente.

 A seguir a íntegra do seu discurso de posse.

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QUERIDOS COLEGAS DA CASA DO ECONOMISTA, COLEGAS E AMIGOS DE OUTRAS ENTIDADES, E CONVIDADOS ESPECIAIS*

Nos anos mais recentes vimos publicamente nos manifestando e solidificando nossa opção pela causa ambiental. A defesa da preservação ambiental do mundo em que vivemos, por estarmos convencidos ser essa a condição “sine qua non” para a sustentação e o desenvolvimento de um novo processo civilizatório para toda a humanidade! Implica dizer que estamos conscientes da necessidade histórica da substituição integral das atuais estruturas e superestruturas sociais, políticas e econômicas que dominam o “Mundo Atual”! A chamada “Globalização neoliberal”!

Tal posicionamento se estruturou para nós, nos últimos anos do século 20 e início do 21. É uma conseqüência do próprio processo, e da realidade da “Globalização” que se instalou no mundo nas últimas décadas do século passado. Neste mesmo período, em nível mundial, se desenvolvia uma ampla e profunda crítica às “sociedades modernas”,  com a tomada de consciência de que um outro mundo necessita ser construído. Daí o slogan que marcou a realização no início deste século, em Porto Alegre, do “Primeiro Fórum Social Mundial: UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL!

Tudo isso está inserido no processo que vinha se desenvolvendo em vários pontos do mundo, num movimento cada vez mais forte, sob princípios realmente humanitários, democráticos, solidários, éticos e morais. A busca incessante visando o alcance e a conquista de uma maior equidade possível na distribuição, entre povos e nações, das riquezas criadas pelos homens! De humanização das sociedades como um todo!

Como objetivo primeiro e essencial de tal processo, já foi colocado uma meta prioritária, referendada inclusive pelas mais importantes Instituições Internacionais (como é o caso da ONU), o chamado “OBJETIVO NÚMERO UM DO MILÊNIO: “O FIM DA POBREZA E DA FOME PARA TODOS OS POVOS E NAÇÕES DESERDADAS DO GLOBO! Ou seja, a criação das condições primeiras para uma existência real de liberdade, humanidade e dignidade!

Diga-se de passagem, que essa preocupação para orgulho dos brasileiros, está contida em um dos principais Programas lançados pelo atual Governo, sob o comando da Presidente Dilma Roussef! Nossa colega na “Casa do Economista” e de trabalho, o que muito nos honra!

Os objetivos citados seriam apenas um “primeiro passo” de um longo e profundo processo de transformação das sociedades atuais, que a realidade está a indicar como absolutamente necessário em nível planetário.

Como afirma e demonstra o grande, e certamente um dos maiores filósofos e sociólogos da atualidade (com a fantástica clarividência de um homem de 90 anos), o pensador francês Edgar Morin, que casualmente Porto Alegre teve o privilégio de receber, e ouvir, no início deste mês de agosto de 2011. Infelizmente não podemos comparecer neste evento por que, no mesmo dia, participávamos da Assembléia de Fundação do Instituto Brasileiro da Justiça Fiscal, o IJF.

Morin, em seu recente livro: “O Caminho para o futuro da Humanidade”, desenvolve uma profunda reflexão sobre os problemas da chamada “Globalização”, tal como se estrutura e se desenvolve no mundo contemporâneo, sob a égide e controle dos “Centros” financeiros do Mundo, em especial dos Estados Unidos da América do Norte! Tal reflexão é feita juntamente com uma profunda análise da crise que a acompanha, e certamente prosseguirá nas transformações que deverão ocorrer (e já estão ocorrendo) não só nos países centrais, mas em escala mundial.

Alerta esse pensador e filósofo, em sua recente entrevista à Folha de São Paulo, dos caminhos possíveis de seguir “para evitar não só uma catástrofe mundial (ou várias), mas também, talvez, para construir um mundo melhor, um Novo Mundo”, um mundo que como diz Morin “eu chamo de Metamorfose”… Em seqüência, o pensador faticina que para alcançar esses objetivos os povos e as sociedades, deverão realizar “todas as reformas necessárias”…  e que elas serão interdependentes entre si. E porque, “é preciso reformar a economia, as administrações públicas, a medicina, a justiça, as prisões, a alimentação, a agricultura…!”  “Ou seja, é preciso reformar a sociedade em todos os seus aspectos, mas também reformar nossa maneira de viver! E termina dizendo: “Parece uma tarefa gigantesca, mas acredito que essas mudanças já começaram, espontaneamente, espalhadas por todos os lugares do mundo!..”

Finalmente, Edgar Morin, respondendo a pergunta da repórter sobre a crítica que lhe fazem dizendo que ele havia mudado “de lado” (do socialismo para a ecologia), reafirma que “o problema” é que as mensagens dos partidos socialistas estão se tornando vazias. Para que as mudanças aconteçam, “devem renascer as idéias libertárias do socialismo, da equidade social e da fraternidade”.

Logo em seguida, indagado sobre o chamado “vazio do pensamento, e sobre sua afirmação de que a crise caótica que vivemos em escala planetária começa com uma “crise cognitiva”, responde que nós (os indivíduos) e também, os dirigentes políticos, os economistas e os especialistas, “subestimamos a cegueira em que nos encontramos”…

E termina alertando que a crise econômica que vivemos é “uma crise social, histórica, etc. Num cenário de globalização”… “onde tudo está conectado”. E que “devemos pensar esses problemas de forma complexa, mas somos ensinados a vê-los (e a compreende-los) apenas com pedaços da realidade”.

Afirma ainda “acreditar num pensamento que não é binário – que não está dividido entre defender ou negar a globalização. É preciso globalizar e desglobalizar ao mesmo tempo. É preciso dar continuidade aos aspectos positivos que propiciam a solidariedade planetária entre os indivíduos e o enriquecimento trazido das trocas, mas é preciso desglobalizar para as realidades locais, regionais e nacionais”…

E continua, “Há uma multitude de reformas e de caminhos. Elas funcionam como os pequenos riachos, que afluem para os rios e que finalmente poderão formar um rio das dimensões do Amazonas. Minha idéia é que será no final que surgirá esse novo caminho…” E antes disso afirma que no seu novo livro em preparação (O caminho da esperança), demonstrará “que mesmo um país que esteja integrado ao contexto da globalização pode mudar significamente sua forma de funcionar”. Antes já afirmara que “um grande país como o Brasil, onde há riqueza material e também humana, esse tipo de política é possível”.

Colegas e Companheiros!!

Nossa formação superior, como economista, foi certamente incomum, por várias circunstâncias conhecidas dos meus parceiros e companheiros mais chegados, mas essa reorientação e desvio dos caminhos tradicionais aos profissionais de economia, não nos desviaram daquilo que consideramos o fundamental, seja na vida pessoal, seja na vida profissional.

E como exemplo e prova dessa última, são as duas décadas de atuação e vivência dedicadas às duas maiores Entidade dos Profissionais de Economia do Rio Grande do Sul, e da “Casa do Economista” (Sociedade de Economia e Sindicato dos Economistas do RS).

Nossa opção mais recente pelos princípios ecológicos não significa uma ruptura e o abandono dos princípios básicos, e fundamentais, que nortearam a formação de nosso caráter, tanto do ponto de vista pessoal como profissional.

Quanto a esse último, minha reorientação como economista aconteceu no sentido da mudança de enfoque e entendimento das teorias econômicas tradicionais e seus modelos de desenvolvimento, tal como os havia aprendido durante nossa vida acadêmica e nas primeiras décadas de atuação profissional. Da mesma forma, no referente a Economia Política, na sua originalidade! Inclusive em pontos básicos do pensamento marxista que tanto influenciou nossa formação.

Tais mudanças, entretanto, não implicaram no abandono de princípios fundamentais que continuamos a cultuar e acreditar, ainda que adaptados à uma nova realidade. Estes últimos, em grande parte, constituem ainda a base de sustentação de nossa existência, como princípios básicos sob os quais vivemos e pelos quais temos lutado ao longo de nossa vida!

Também, não se trata pura e simplesmente de uma desilusão ou de um pessimismo exagerado, muito menos de perda total dos rumos! É uma mudança de horizontes, uma reorientação consciente de um reposicionamento em função do vislumbre de novos caminhos, de novos paradigmas para busca do futuro!

Trata-se pois, de um convencimento inabalável de que podemos estar vivendo, em nível global, sob a ameaça de um eminente desastre! Não só das bases sociais, políticas, econômicas e ideológicas que sustentam a atual “Sociedade de Consumo” em seus diferentes matizes, mas o que é mais trágico, a possibilidade de um desastre ecológico global que, inclusive, poderá significar o fim da nossa civilização, a impossibilidade da existência futura da humanidade!

Quanto a nossa vivência no seio do nosso grupo social, da nossa classe profissional, vamos dar nossa última colaboração como dirigente, lutando e defendendo, na medida do possível e dentro das condições objetivas que vivemos, a partir das nossas tradicionais Entidades da “Casa do Economista” (Sociedade de Economia e Sindicato dos Economistas do RS).

Lutaremos e apoiaremos, na medida em que possamos compartilhar, de todos os atos e atuações aos quais nos engajarmos como colega e companheiro, a nível de nossa categoria profissional e a nível global dos movimentos sociais, do estado e do País, nas grandes causas dos nossos coletivos e do nosso povo em geral.

Porto Alegre, 15 de agosto de 2011.

(Semana do Economista de 2011)

*Discurso de Posse na Presidência do Sindicato dos Economistas do RS (gestão 2011-2013), manifestação que acompanhou o “Ato de Juramento” em nome de todos os integrantes da Nova Direção (no dia em que  se comemorou a SEMANA DO ECONOMISTA DE 2011).

Componentes da Mesa: econ. Rafael Alves da Cunha (vice-Presidente do SINDECON-RS e Presidente eleito); econ. José Marchisio (Presidente da SOCECON-RS); econ. ODIR TONOLIER (Secretário Estadual da Fazenda e representante do Governador TARSO GENRO); ROBERTO BERTONCINI Secretário Municipal da Fazenda e Representante do Prefeito Fortunatt,); DÃO REAL P. DOS SANTOS (Dirigente e Representante do Instituto Justiça Fiscal – IJF); econ. MARK RAMOS KUSCHICK (Diretor do SINDECON e da SOCECON); econ. DÉCIO ANSON LIMA (Secretário da Mesa,  Dirigente da SOCECON e do SINDECON).

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O economista Rafael Alves da Cunha é Bacharel em  Ciências Econômicas pela UAP – Moscou, “Máster” em Ciências Econômicas pela UAP – Moscou com Especialidade em Planejamento Econômico, tem pós-graduação no IEDES – Univ. Paris I , Sorbonne – França, com especialidade em Relações Econômicas Internacionais, possui diploma de 3º Cico – Pré-Doutorado – IEDES – “Sorbonne”, especialidade em Política e Programação do Desenvolvimento; foi Técnico da Ex PLANISUL SA em Planejamentos e Projetos; Técnico da Fundação de Economia e Estatística, desde 1979; Professor Universitário (Licenciado) da UNISINOS – São Leopoldo; É dirigente das Entidades da “Casa do Economista do RS” desde 1991 sendo, atualmente, vice-Presidente da SOCECON/RS e Presidente do SINDECON/RS, e foi Coordenador da implantação do Projeto de Recuperação da Bacia Hidrográfica do GUAIBA , do qual foi o primeiro Secretário Executivo dando o nome de “PRÓ GUAIBA”; foi ainda o idealizador dos Projetos das RPPNs – Itapuã 1, 2, 3 e 4 e Membro da Comissão da Assembléia Legislativa que elaborou o Projeto de Lei das RPPNs no RS. É sócio fundador e membro do Conselho Constitutivo do Instituto Justiça Fiscal.

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