Por que justiça fiscal diz respeito a você?

Marcelo Rodrigues

Para responder a esta pergunta de uma maneira simples, imagine, de forma bem sumária e esquemática, porém longe de fixar uma generalização caricata, que o Brasil é como uma família. Ao propormos a discussão da justiça fiscal, na verdade estamos buscando saber se essa família trata os seus com justiça ou infâmia.

Como toda família, há aqueles bem sucedidos e aqueles que encontram dificuldades que comprometem sua sobrevivência, há as pessoas saudáveis e os com problemas de saúde, há os que têm idade para o trabalho e os que são muito novos ou já bem velhinhos.

Quando a família busca ser justa, todos contribuem na medida de suas possibilidades e cada um recebe de acordo com suas necessidades. Se o total dos recursos que a família tem é suficiente, ninguém passará necessidades que aviltam a dignidade humana. Por exemplo, aqueles que trabalharam e, por alguma razão, já não podem mais fazê-lo, receberão uma aposentadoria que lhes dará uma velhice tranquila, lembrando que ele contribuiu durante grande parte da vida. Para haver justiça, é necessário também que aqueles que tiverem mais devem contribuir com uma parcela maior para o bem de todos.

E quando a família é egoísta? É um Deus nos acuda! Quem tem recursos procura escondê-los e tenta jogar a conta para os outros. Tem gente que quer tudo para si e nada para os outros. Tem gente que faz de conta que não é daquela família, mas não esquece de se apresentar para receber, aos berros, a parte que acha ter direito. Tem alguns que são saudáveis, mas não trabalham, são ricos, mas não querem contribuir, têm tudo, mas querem muito mais, não se importando de tirar dos outros.

Resumindo a nossa historieta, conversar sobre justiça fiscal é tentar descobrir, numa ponta, se todos contribuem na proporção do que cada um tem ou se uns estão pagando mais do que podem, enquanto os parentes ricos e sabichões pagam o que nem lhes faz cócegas; noutra ponta, tentar descobrir se a distribuição dos recursos contempla primeiro aos mais necessitados ou se aos tais dos parentes ricos e sabichões que já têm tudo sobrando estão abocanhando coisas que fazem falta aos demais.

Descobrir que tipo de família é o Brasil é o propósito da nossa discussão.

Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil
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5 Respostas

  1. Parabéns pelo blogue e pelos assuntos abordados.

  2. Perfeito! Didático, abrangente. Procurem publicar em jornal de grande circulação para divulgar o blog. É o tipo de texto que “chega”, é popular.
    Continuem, continuem… estou divulgando por aí;
    Abraços.
    Cristina.

  3. Parabéns pela clareza e pelo poder de síntese. Com uma breve analogia deixou claro o que significa Justica Fiscal.

  4. Maravilha!

    A população brasileira deve procurar sempre o ideal de Justiça, o “dar a cada um o que lhe é devido”, nas palavras do bom e velho Aristóteles.

    Enquanto não (re)pensarmos o sistema tributário brasileiro, estaremos a muito longe de ver concretizada uma sociedade mais justa e mais harmônica.

    Abraços a todos e parabéns pelo texto!

  5. A justiça fiscal não diz respeito a mim porque não sou criminoso.

    Todo imposto é um roubo.

    Quando uma maioria de 51 % decide que podem tirar de MIM o MEU DINHEIRO para fazer algo para OUTROS, É ROUBO.

    A questão aqui é de PRINCÍPIO, o que NÃO TEMOS NO BRASIL.

    Não temos uma Declaração de Independência onde estejam firmados os PRINCÍPIOS que norteiam a construção de nosso País, que sejam a BASE DE UMA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

    Na CF88 não há princípios, apenas o direito positivado à procura de direitos de alcova para brindar um ou outro grupo de pressão com vantagens competitivas sobre os outros grupos, os derrotados.

    Até hoje pagamos pela canalhice da CF88 que dá dezenas de direitos e não cobra NENHUMA RESPONSABILIDADE DA PESSOA QUE GANHA O DIREITO.

    Veja o sindicalismo.

    Os corruPTos até hoje enganam o povo com o 13º salário e não tem um único sindicalista que exija em um ACT o pagamento do salário toda sexta-feira, EM DINHEIRO.

    Aí o debate sobre a democracia e a justiça social e a justiça tributária “vai para o saco”, literalmente, pois o que está em debate aqui não é a “justiça tributária”, mas as vantagens que os sindicalistas têm em roubar o sindicato dos colegas, mentir sobre o 13º salário e desfrutar das benesses de um sistema sindical corruPTo e partidário.

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